domingo, 24 de novembro de 2013

MAIS MÉDICOS!!!!



Costumava dizer, quando pequena, que ela era minha mãe de chocolate, enquanto ela me dizia - Deus me deu uma filha de leite, enviada como um presente todo especial por Nossa Senhora. Não tinha o hábito de chamá-la de senhora, tampouco ela gostava, ainda se sentia leve apesar do peso dos anos. Morávamos numa cidade pequena, cujos gracejos, pela inclemência da quentura, era chamada de Morada do Sol. Nas lides da vida, o leite da minha pele, virou pingado e, assim, me avizinhava mais com aquela que me ensinou a nadar nos açudes aos pés dos lajeiros.
Não erámos apenas nós duas, os agregados, os filhotes e os vizinhos sempre estavam a habitar a sombra que nosso teto ofertava, quente e cheiroso de café. Um dia caiu de virmos para cidade grande, já não era nos açudes que brincávamos na liquidez de tanta água. E o sol, esse ainda companhia das nossas peles, parecia melhor parceiro, diante dessa água sem horizonte. Apegada que era aos meus caminhos já sem vistas, sentia vontades de retorno. Ela não, ela, toda aventureira, pegava as ondas como se fossem as pérolas de uma vida inteira e dizia: um dia, ainda em dezembro, desse mar, chego ao Rio.
Mas foi em Janeiro que ela se apoiou em meus braços quando a levei, caída, ao hospital. De hospital em hospital, íamos sendo transferidas, como uma carga qualquer, sem plástico-bolha, sem o carimbo das entregas preciosas, a ocupar corredores, ouvindo o refrão de uma música maldita, não temos leito, não temos pino, não temos médicos.
Enquanto ela nos meus braços se apoiava, a abraçava como se nosso corpo junto fizesse a mais gostosa das combinações. Meu corpo leite, pingado de café, ela toda chocolate, nos marinando juntas. A multidão, que também estava à deriva, naquela maquinaria tão gélida, sentiu o sol na nossa pele e se aproximava para, talvez, se banhar. Indagaram-me muito, vendo a mistura das cores, quem é ela? Ela, eu dizia, foi um presente divino, enviado para adocicar a vida, minha mãe, e esse foi o último de seus sorrisos que tive o prazer de guardar em mim.  Alguns poucos dos muitos sem jaleco, ocupando a esterilidade daquele corredor, perguntavam se estávamos precisando de algo, quando, na urgência daquele tsunami, respondi, numa voz surda, que num coro interno, reverberou em uníssono na multidão, por favor, (mais) médicos.

Ps. Janeiro se aproxima e um dia irei ao Rio, levá-la comigo, porque ela ainda habita minha pele. Sem mais.


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Quando ela...


Quando ela ligou... Anunciou de pronto, sem muita medida, que seu corpo estava ressequido, vazio de paixão, vencida de acontecimentos. Que havia experimentado a morte. Que já não pensava mais em nós duas, juntas. Que lamentava ter que se despedir. Que não dava conta da intensidade. Que precisava correr mundo. Que precisava desligar. E que aquilo era um adeus. Não me coube interjeições, pega que fui pelo assombro de sua fala corrida. Tentei retornar a ligação, nada, estava totalmente desligada. O tempo parecia sorrir para mim, como a anunciar que ele era o senhor do absoluto, que o que ele dá, ele toma, todo cruzeta, ao acenar a duplicidade daquela ligação, ela toda veloz em desaguar tudo, eu congelada num instante qualquer, suspendida. Não sei o contar das horas, não sei como falar do primeiro de tudo, não soube, nem ao menos, mensurar os dias passados a duas. Pensei em lhe falar do tempo vivido, dos meses, dias e anos dos aconchegos de edredom, mas me sumiu a contagem dos dias alegres. Fugiu ligeiro como foge aquilo que não é de todo nosso.

Quando ela apareceu... Veio recomendada por amigos em comum, não era o meu tipo, não gostava das gatas, daquelas descoladas, de frases insinuadas. E assim, me colocava à distância, desconfiada da gula que ela anunciava possuir.  E foi por fome que acabamos ficando juntas. Ela sempre vinha, toda embriagada de vinhos, farta da rua, comer na minha cozinha. E eu a recebia, polindo e roçando o seu nariz com os cheiros que preparava especialmente para ela, apenas para ela. Assim, toda alta noite, temperada, ela me dizia tua, sou toda tua. E tua era o nome que ela ronronava ao meu ouvido, enquanto acomodava as mãos em mim. Sabia que a sua razão não era o tom sobre o tom da minha. Tampouco eram opostas. Às vezes, aquele que sorriu para mim, tão desdenhoso, tão senhorinho, ocupado nos seus salmos, amarrava sua mão do amor, toda dele, e longe do todo, à deriva, permitia os pequenos furtos de nós duas. Não precisava mais nada, pensava até, Deus, tá tudo certo. Leve o resto, isso é tudo, tudo tão certo, não sem que a culpa me habitasse.

Quando ela se foi... Lamentei não ter dado o último beijo, não tê-la afagado mais um tanto, não ter dito fique, por favor, fique mais um pouco, fique mais um instante, fique um bocado, fique um tanto, fique sempre... Lamentei não poder ser ouvida, não poder retornar a ligação, não me fazer compreendida, não ter feito o último jantar. Lamentei até o sono interrompido, quando ela...  Recobrada da comilança, ia para o mundo, devorar outras histórias, toda fome de viver.


sábado, 17 de agosto de 2013

Eu sou queer! E muito gata!

Batizaram-me como a Rainha dos Dragões, uma  tal de Daenerys, nome de batismo, nem homem, nem mulher, quaque(er) cousa. Não quis fazer feio, vim de longe, pega no bueiro de uma rua, dessas que todo mundo passa ao longe, como a torcer o nariz,  sou gata, sou bueira, sou do lixo., sou descentrada. Mas tinha o rabo farto. Foi meu rabo que me salvou. Ele era peludo. Diziam até, - ei, você se passa, se passa igual a uma persa.
Eu nem sabia o que(er) era isso. Mas meu rabo me salvou. A mãe da minha mãe que já era minha avó me chamava de Rabuda por mais protestos que eu ouvia por aí. Não sei como lidar com meu rabo. Sei que ele é emaranhado, desses que tem fios em nós. Farto, totalmente farto. Mas nem gosto que me apalpem. Fico irritada, o rabo é meu.
Não sou Aristogata, mas não como ração qualquer. Gosto de me saciar com aquela que diz que é gold, alimento de alta qualidade, como a desafiar o destino que meu Deus me deu.  E eu posso, porque tenho o rabo e os olhos de gata, desses amarelos, como quem já nasceu com a maquiagem perfeita. Soul gata.
Um dia, no boteco, cismando com aquela baratinha que passou, meio de lado, já rebolando, a vi, aquela Preá, gostosa que só ela, feito rata, mascarada, tão carne. E eu salivei como salivava aquele povo, esquálido de poesia, afastado de batata (toda fritada do Mac), pensando: vou comer porque tenho a fúria do fogo, tenho rabo e meu corpo, em movimento, pode ser poesia.
Era o dia das mães e eu programei bem direitinho. Desovei o corpo dela, engoli quase tudo, deixei a moela e um pouco de sangue, esquecendo só o celofane.
Minha mãe chegou, não ficou feliz, não me fez gracejos,  nem me disse nada.
No silêncio dela, pensei, como é difícil ser gata, bem que eu podia ser uma cachorra!!!


Ps. A – S – P- R – E – P- A- R- A- D- A-S- !   S – Ó – A - S - C-A – C – H – O – R-R –A – R –A – A –S

terça-feira, 11 de junho de 2013

Solturas


Era assim, solta no mundo. Era tanta soltura, que não, nunca pensara em se apegar a nada. Costumava olhar de longe, os apegos dos outros. Era na rua, era na escola, era em casa, era consigo, sempre indo. Os pais sabiam, quando não perguntavam, todas as filiações. E distantes, sempre estavam. Era assim, totalmente, tolamente, enraizada.

Por isso nunca estranhara, nunca estranhara a distância, nem o enviesamento que estava. Não estranhara quando deu a primeira vez, sem emoção nenhuma, sem sangue, sem hímen, sem vergonha, sem prazer. Estava tudo certo, como certo eram as contas do mundo.

Detestava as raízes todas e não por acaso tinha a insistência de arrancar as folhas por onde  as encontrava plantadas, tão arvoreadas. Via-se plena, quase sempre absoluta. E um dia ela me viu, me viu, como se olhasse de lado, como se olhasse desconfiada, como se nem acreditasse.

Olhando-me, assim de banda, sem nem acreditar decerto, como um vislumbre, totalmente, tolamente ensimesmada, me puxou pra dançar, naquele buteco e me disse: - você tem um cheiro bom, cheiro de vinho barato.

Eu me senti bacana, fiz os rodeios todos, e baforei mais um tanto, incendiado que estava. E a puxei pra dançar, enfiando os pés por entre as pernas dela, como se pudesse controlar o ritmo das vontades.

As pernas dela eram longas, fortes, daquelas acostumadas aos mil passinhos. Na sua troncura, me segurei e pensei  -  que se danem todos os ritmos, as quero ao meu derredor. Quero uma coroa de pernas para com elas me deitar e ser rei.

E, olha só, ela nem sabia, mas eu já a via visto. Já tinha visto a veia azul dos seus seios, como a mandar pra mim, de tão longe, o recado, aqui se soma a abundância das terras que sabem ser férteis. E, sedento que estava, faminto até, me fiei, como quem é enredado nas histórias das mil e uma noites, pensando apenas, com você, nessa noite de fome, com tanta gula sentida, me farto de fastio.


Ela, sem entender direito, me devolveu e soltando se foi... assombrando meus dias. E, tolamente, fiquei, a senti-la tão absurdamente...


segunda-feira, 25 de março de 2013

Pai, manda chuva


Já são semanas de espera e a chuva não chega. O dia passa arrastado, mexo em tudo e não concluo nada. Revolvo a terra, me atualizo das coisas do governo, olho, todo dia, para o horizonte, mas me ocupo do balanço, esperando o sol cair. E a noite, que antes, bem vinda por causa do entorpecimento, me deixa atormentado. Por que não chove pai? Sei que não errei nas minhas contas. Participei das coisas do mundo, fiz cadastro onde devia, me associei onde orientaram, fiz tudo o que tinha que fazer nesse meu tempo. Mas eu me enganei pai, esse tempo não é o meu. E o seu também não me pertence. Nem ao menos, me reconheço mais, ainda não. Fico pensando que quando a chuva chegar, o mundo então será lavado. E sairemos limpos dessa. Claro que eu nunca serei julgado, aqui não. Eles não vão encontra-la. Não vão nem mesmo procurar. Eles sabem que a sujeira, de perto, respinga. E todos eles respeitam meu nome, minhas botas e minha aliança e já não temos água. Eu e meus companheiros, nesse barco sem água. Só não esperava que depois de tudo, eu me tornasse o outro. Mas eu sei que sou, mesmo com todo o meu estranhamento, sou aquele que antigamente se falava, entre uma cusparada e outra. Mas tudo que fiz, entre o céu e a terra, pode ter certeza, foi por amor. Talvez eu não tenha sabido amar. Mas pai, você tampouco me ensinou. Queria apenas que você se orgulhasse do seu filho. Que visse como eu me tornei grande. As terras, ao nosso derredor, já são todas minhas. Os nossos se foram e não tem mais ninguém que seja do seu tempo. Os vizinhos, a léguas de distância, já não sabem de quem sou filho. Eles também não sabem de mim. E tudo o que eu queria era ser gigante para que assim você pudesse me ver. Agora não adianta mais, estou tomado por escaras. Apenas me escute:
-  Pai, manda chuva. Manda a chuva, eu, eu... manda chuva.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Tudo certo


Eu sempre senti assim no gogó. Vinha descendo, era vida demais pra mim e morria tanta gente. Do grupinho da escola que eu ia de vez em quando, poucos sobraram. Parece piada, véio, esse filme que a gente compra no terceiro. Boyzinho com cara de mau. Pra rir mesmo. Filme de ação é filme de piada pra negada. Veja o filho de Martinho, todo alvejado. Furado feito bolso de malandro. Num trisco, passaram as madames no carro, quase relando, e o cabra achava que ia dar tempo. Foi só dar um tiro no pé. Furamos ele todinho. Do pescoço até a coxa. Fui pra casa com medo, porra, o cara era sobrinho daquele tenente, aquele escroto da Rua Major, mas ninguém viu, e madame num para pra nada mesmo. Tudo certo.
Me lembro ainda daquele povo de São Paulo dizendo, vou lá, morar no interior, tranquilo, vida barata, tudo manso. Quem disse isso a quem? Que porra é essa? Tá certo que quando o negócio engrossava, eu saltava fora. Gostava era de puxar um fumo, brechar as negas passar, pegar o celular de um folgado. Mas queimava tudo, não sobrava nada. Não vou dizer que a coisa era fácil nessa época, eu tremia, vai que um filho da puta desse puxava um ferro. Sei não.
 E mais a mais, não sou frouxo não, quem nunca teve medo? Eu só queria fazer a minha, tá ligado? Sei lá porque Helinho invocou com aquela família, eles fugiram pra Bahia. Todo mundo sabe, esse tal de facebuk é do caralho. Falei pra gente ir lá, mas minha nega não deixa, tem ciúmes das moças da praia, puta merda.
Não vou ser gabola também não, porque gabolice é coisa de viado. Não vou dizer que quando pego a pistola acerto mais do que faço zuada. Mas isso era antes. Antes mesmo daquele doutor engomadinho que me diagnosticou, é mano, aprendi isso, sou um cara diagnosticado. Eu lá doido pra ir puxar um fumo e ele analisando meu pé. Disse que tinha transtorno de ansiedade. Que eu não era responsável. Que entendia meus problemas. Que sabia que eu não queria tomar remédio, mas que ia ser bom pra mim. Eu lá sei. Eu só queria ir pra rua, ia ter festa na cidade, Isabela ia tá lá e eu tinha dito que levava o rum, e o cara era macio feito moça mole, tinha até unha feita. Porra. Ele disse, vou te passar uma medicação, você vai conseguir gerenciar sua vida. Volte aqui com 16 dias para avaliar os efeitos.
Me deu uma caixa e disse: não tome com álcool porque pode dar efeitos colaterais. Enfiou um remédio no meu gogó abaixo. Fui pra casa, pequei bere, e fui pro pacode. Puta merda, a cerveja desceu que foi uma beleza. Isabela tava lá, toda gostosa, nego nem olhava pra perto, mas que lugar que não tem malandro?
Malandro que não respeita, só tem chumbo. Foi a primeira vez que acertei. O furo foi tão profissa, que me chamaram pra outro. E eu pensando, no outro dia, que tinha nascido pra isso. Deixei de pegar as bagas dos cara e curtia o respeito. Foi pedido pra todo lado. Chegava nos cantos, tinha moto, tinha carro, tinha um back, e eu só na minha, tranquilão, tomava dois tragos de Volúpia, o Rivotril do doutor, e fazia mira, brincando até, quem tem medo de nada porra.
Em 16 dias, eu fui o rei. Minha perna nem balançar, balançava. Gostei de mim tomando aquilo no gogó e o doutor disse que eu tava me recuperando. Eu era eu. E não tava nem aí. Se tivesse gogó, tava tudo certo. Era meu segredo. O Baga morreu. Meu nome é Gogó. É só discar, tamo na área. 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Mortes mal anunciadas



Sabia que o tempo do meu corpo não estava mais em sintonia com o tempo dos meus desejos. Meus ossos doíam, fossem para anunciar um dia mais fresco, fosse para abraçar o calorio que já me era companheiro indesejado de tantos anos. Ainda tinha a alegria dos dias, porque aprendera, durante toda a minha vida, a lidar com minhas dores. Ah, e como foi dolorosa a minha vida, ainda que tão feliz. Aquele que eu amei me foi tirado cedo, por uma brincadeira estúpida de armas, crianças e descuidos.  Minha mãe morrera no mês que mais alegria me trazia, quando o São João, anunciava o fervilhar de batuques, de bandeirolas e dos belos requebros que sempre ficava a olhar. Meus passos, nesse som junino, foram compassados com as orações e a despedida daquela que me trouxera ao mundo.
Não era de fato uma figura triste. Se vocês tiverem interesse, podem ver minhas fotos, uma das poucas heranças que deixei, afora os afetos que plantei nos jardins onde vivi. Todas elas eram centralizadas pelo meu sorriso branco e generoso. E sempre fui uma mulher de fé e a fé não é para todos, sei disso, porque acompanhei, durante minhas décadas vividas, o esvaziamento de minha Igreja. Então, posso dizer que fui pega de surpresa, ela me veio de mansinho, com o resultado daquele exame de rotina, mas foi se alocando no meu corpo, com os outros exames que o sucederam, atestando meus desfiguramentos.
Durante um ano inteiro desfilei pelos hospitais. E lá, pude ver uma miséria maior do que a minha. Eram tantas as mortes anunciadas naqueles rostos e corpos carcomidos, que me senti uma eleita. Ainda andava com minhas pernas e elas sempre estavam acompanhadas dos meus queridos, que tanto cuidei quando ainda eram crianças e que agora zelavam por mim. Ah, o amor, só ele para ser o antídoto da dor.
Sabia que essa era uma luta minha e apenas minha. Já tinha superado outras, meu corpo já havia sido cortado e retirado aquilo que dentro de mim, se tornara meu inimigo. Durante esse ano, tomei remédios que diziam aliviar essa dor, que ora entrava em mim como uma facada sem anestesia. Mas esse mesmo remédio que me amortecia, amortecia também minha mente. E ela ficou confusa, habitada dos mais loucos delírios. Ninguém me avisou que não seria possível vencer essa guerra, ainda que muitas batalhas fossem sendo ganhas.
Mas quando meu corpo, já deteriorado, minha mente já anuviada, meu espírito de fé me disse aquilo que nunca esperava saber: estava morrendo. Era chegada a hora de dizer adeus. Assim, rezei, confessei, recebi minha família e fui ao encontro dos meus que já não estavam aqui. Minha jornada terminara.
Hoje, passado anos da minha despedida, vejo, não sei exatamente de onde, os amados que deixei e aqueles que ao nascerem depois de mim, seriam amados igualmente. Sei que eles me sentem, sei que vivo nas suas memórias, mas queria dizer que a morte não é o fim, mas afortunados eles ainda são, por estarem vivos. Só gostaria que meu afeto ultrapassasse as barreiras desse mundo físico em que já vivi para dizer a eles: cuidado com as mortes mal anunciadas, pois assim como aconteceu comigo, pode vir a acontecer com vocês de quem tanto cuidei e por quem fui tão cuidada. A vida, mal gerida, nos prega peças, e quero reencontrá-los sem as cicatrizes todas com que cheguei aqui. Essa é a vida bem anunciada que desejo a vocês, amores meus.